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A alta produtividade está massacrando uma força de trabalho exausta

O home office, que foi adotado pelas empresas na pandemia, também pode ser uma faca de dois gumes. 

Com todas as mudanças causadas pelo novo coronavírus, as equipes de Recursos Humanos tiveram que ser criativas e pacientes. 

As adaptações, às vezes, levam um pouco de tempo, e a instabilidade geral pode comprometer a saúde mental dos colaboradores, que precisam se sentir ainda mais respeitados, valorizados e seguros.

Com a implementação do trabalho remoto em diversas empresas, aumentou a necessidade do contato por aplicativos de mensagem instantânea, mas não só: as reuniões se tornaram mais frequentes, assim como os e-mails de check-up.

Sabendo da particularidade do momento presente, muitas companhias têm redobrado os cuidados com o bem-estar dos colaboradores e, para isso, enviam mensagens frequentes sobre estresse, sentimentos melancólicos, pensamentos invasivos, etc.

Saem na frente das demais, aliás, as empresas que buscam, além desse contato mais intenso – e até pessoal, embora respeite os limites do profissionalismo -, fornecer benefícios corporativos que facilitem o acesso do trabalhador a especialistas da saúde mental, como psiquiatras e psicólogos.

Isso não deve ser o suficiente, no entanto. Estamos diante de uma geração profundamente cansada, e é preciso que entendamos que as modificações pelas quais passa o mercado de trabalho, já que o home office chegou para ficar, não podem ignorar os limites do corpo e da mente dos trabalhadores.

Sociedade do cansaço: entenda

A pesquisa global Work Trend Index, realizada esse ano pela Microsoft, em parceria com a Edelman Data x Intelligence, trouxe alguns dados bastante interessantes sobre o trabalho híbrido – que, aliás, tem sido adotado pela Microsoft.

Nesse modelo de trabalho, parte dos funcionários vão para o escritório, enquanto parte permanece em casa. Segundo a companhia, que ainda considera que o trabalho híbrido está em fase de teste, existem duas coisas que não podem ser ignoradas.

A primeira é que o trabalho flexível será uma realidade a partir de agora, e não é possível fugir disso. O home office deu emprego aos que costumavam morar longe das empresas de grande porte e também aumentou o tempo em família.

A segunda é que, apesar dessas grandes vantagens, há um lado complicado no trabalho remoto: a chamada exaustão digital, que precisa ser olhada com seriedade.

No terceiro tópico da pesquisa – que você consegue ver na íntegra aqui, em inglês -, há um detalhe complicado: um a cada cinco respondentes da pesquisa, que foi feita com cerca de 30 mil pessoas, disse que o empregador não se preocupa se o empregado consegue balancear vida pessoal e trabalho.

 

Entre esse grande grupo de profissionais, 54%, mais da metade, disseram que se sentem sobrecarregados, enquanto 39% afirmaram que se sentem exaustos.

Isso não é por acaso. Embora não haja o deslocamento cotidiano para chegar ao trabalho, o colaborador fica muito mais tempo conectado – e, infelizmente, muitas empresas não entendem que existe hora para começar e terminar o expediente mesmo quando o trabalho é feito “na casa” do profissional.

O trabalho aumentou na pandemia

A pesquisa, claro, baseia-se um pouco no cotidiano dos trabalhadores da Microsoft, mas também nos serve de espelho.

De acordo com ela, o tempo gasto em reuniões mais do que dobrou durante o tempo de trabalho remoto e o pior: continua crescendo. As reuniões, que costumavam ter cerca de 35 minutos, agora têm 45.

O aumento de conversas via chat é de 45%, e houve também aumento (42%) na quantidade de conversas virtuais com indivíduos únicos.

“Por que isso é relevante, se é apenas parte do trabalho?”, você deve estar se perguntando. Pois bem: 62% das ligações e reuniões não haviam sido previamente marcadas, ou seja, não estavam na agenda dos colaboradores.

Na prática, isso fez com que com essas pessoas tivessem que abandonar tarefas, profissionais ou pessoais, para atender demandas não-programadas muitas vezes. E isso, além de interromper a produtividade, gera aumento da ansiedade, do estresse e do cansaço mental, além de atraso nas atividades cotidianas e perda de foco.

Mesmo quando são chamados sem agendamento, 50% das pessoas respondem dentro de cinco minutos ou menos, e isso não mudou. Isso quer dizer que estamos ligados, conectados o tempo inteiro, e que as expectativas acerca do colaborador se tornaram ainda maiores, gerando cada vez mais cansaço e pressão.

É dever das empresas, diante de dados como estes, prezar pelo bem-estar físico e mental dos seus trabalhadores. Desta forma, será possível manter a rotina sem causar danos que, sabemos, podem não ter conserto.

 

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