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Como está o consumismo nos dias atuais

Facilidades da Internet acentuam a compulsão por compras e comportamento tem consequências para o indivíduo e para o mundo.

Fazer compras é algo praticamente inevitável na sociedade atual — e não há, necessariamente, um problema nisso. Quando se fala em consumismo, o termo não se refere ao simples ato de fazer compras, mas sim ao seu excesso. Ou seja, quando uma pessoa consome muito mais do que necessita ou tem condições de comprar. 

O consumismo é visto por muitos estudiosos como um problema a ser enfrentado neste século. Isso porque, além das questões sociais e financeiras que cercam as compras, há também o âmbito ambiental, uma das grandes preocupações do mundo atual. E, mesmo com a chegada de produtos sustentáveis ao mercado, o consumismo desenfreado ainda apresenta um grande impacto na sociedade como um todo. 

Entenda mais sobre o tema e veja o que estudiosos dizem a respeito disso. 

O consumismo pela História

De acordo com pesquisadores e estudiosos sobre o tema, o consumismo surgiu ainda na década de 1950, nos Estados Unidos. O país, conhecido como “pai” do capitalismo e do consumo desenfreado, passava por um momento de pós-guerra, com desenvolvimento industrial e crescimento econômico. Isso, combinado com a ascensão cada vez mais forte do ramo das propagandas e publicidade, fez com que se criasse a ideia de que, quanto mais coisas uma pessoa tem, melhor ela está, considerando bem-estar, conforto e ascensão social. 

Com o passar do tempo, essa ideia apenas se intensificou. Pelo menos, é o que Steve Miles, sociólogo da Universidade Metropolitana de Manchester, acredita a partir de seus estudos. Em seu livro “Consumerism: as a way of life” (Consumismo como meio de vida), o pesquisador afirma que o consumismo continua sendo uma maneira de pertencimento na sociedade, fazendo com que as pessoas consumam para manter seu status quo”. 

Com as facilidades do consumo pela internet, a tendência é que isso aumente ainda mais. Isso porque as pessoas estão cada vez mais expostas a publicidades e novos produtos, que aumentam o sentimento de necessidade, além da compra poder ser feita de maneira cada vez mais simples (quem nunca fez uma “compra com 1 clique”?). 

Apesar dessas facilidades, pesquisas já mostram que pelo menos uma parcela da população pensa em reduzir seu consumo ou busca por produtos sustentáveis. Um estudo da ESCODI (Escola Superior de Comércio e Distribuição, Espanha) indicou que 60% das pessoas de 18 a 45 anos estão dispostas a repensar seu consumo. As gerações mais jovens, como a Z e os alpha, também mostram uma preocupação quanto a isso. 

 

Consumismo ou consumo consciente 

Essa preocupação com o futuro e com o consumismo em si, pode contribuir com o chamado consumo consciente, quando as pessoas repensam suas compras e o impacto social e ambiental que causam no mundo a partir delas. Entretanto, segundo Albert Vinyals, um dos pesquisadores da ESCODI, até mesmo a ideia de um consumo mais sustentável pode acabar incentivando compras exageradas. 

Isso porque, na ânsia de buscar um consumo consciente, surge também um mercado novo pronto para atender essa demanda — mas nem tudo o que se diz sustentável é de fato. Com isso, mesmo buscando por um consumo mais consciente, muitas pessoas podem estar, na verdade, aumentando ainda mais suas compras em algo que causa o mesmo impacto que um produto “não sustentável”. 

Assim, não quer dizer que a busca por consumo consciente é em vão, mas sim que, para isso, é preciso entender se de fato aquele produto, empresa ou marca agem de maneira sustentável como um todo. A partir disso, é possível optar por aquilo que mais se encaixe com o consumo consciente e sustentável, considerando tanto a quantidade de compras quanto o impacto disso no planeta e na sociedade. 

A relação entre consumismo e saúde mental

Além das questões sociais que cercam o consumismo, há também as individuais. Uma delas é a saúde mental. De acordo com especialistas e psicólogos, o consumo exagerado pode trazer inúmeros problemas para quem o pratica: problemas financeiros, familiares e de vida social, acúmulo de itens e até ansiedade. 

Em alguns casos, a pessoa pode até mesmo ser diagnosticada com transtorno de compras compulsivas (TCC), uma questão psicológica que faz com que o indivíduo desconte suas frustrações nas compras, que são vistas como um momento de prazer e felicidade. Com isso, o consumismo acaba se tornando prática recorrente, como maneira de lidar com problemas do dia a dia. 

De maneira geral, as facilidades que a internet e a tecnologia trouxeram acabaram mudando as maneiras de consumo, incentivando o consumismo. Em contrapartida, a preocupação com a sociedade e o meio ambiente também aumentou nos últimos anos, fazendo com que o mercado de produtos sustentáveis e o consumo consciente também ganhassem cada vez mais força — o que é esperado também para os próximos anos. 

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